Évora e a Festa Brava

 

          A cidade de Évora, por muitos considerada como Capital ou Catedral do Forcado, carrega consigo anos de Festa Brava, cheia de tradições e aficionados. 

Todos os anos na nossa cidade, se realiza a Festa do Forcado que conta com a participação de Grupos de Forcados Amadores, vindos de todo o país e das ilhas.           

“A Arena D’Évora – Catedral do Forcado – sempre foi especial para os forcados: há naquela praça de toiros um enorme e forte simbolismo para os rapazes que vestem a jaqueta de ramagens. O silêncio e a concentração das bancadas marcam qualquer pega: desde o cite até ao concretizar de toda a sorte. A arena eborense é, sem dúvida e desde há muito tempo, um local carismático para os grupos de forcados que ali fazem as cortesias. E se um grupo de forcados já é uma família, este é o dia em que se juntam várias famílias unidas pela mesmo saber, coragem, valentia, espírito romântico e amizade, formando assim uma única e fantástica família: a do FORCADO. A Festa do Forcado na Arena D´Évora, nasceu com o objectivo de criar um dia na Catedral do Forcado de verdadeira festa e de enaltecimento dos valores, da atitude, do companheirismo e da humildade que caracteriza esta figura tão querida e respeitada da nossa Festa que é o Forcado Amador. Concurso de pegas de cernelha, execução de sortes antigas, valorosa actuação de antigos forcados, miúdos cheios de garra que já fazem os primeiros cites, abrindo os braços com determinação. “

É também na Arena d’Évora que se realiza anualmente o Concurso de Ganadarias, que este ano decorreu a 27 de Maio, para a sua 52º edição. Contando com a presença de João Moura, Vitor Ribeiro, Bastinhas Jr. e Grupo de Forcados Amadores de Évora e Alcochete. Com 6 Toiros / 6 Ganadarias, Palha, Fernandes de Castro, Murteira Grave, Passanha, Pégoras, Canas Vigouroux que disputaram os Prémios de Bravura e Apresentação.

É em Évora que encontramos um dos maiores Grupos de Forcados Amadores do País, com quase 48 anos de história, a representar a cidade e todos aqueles que nutrem a paixão por esta arte.

 

GFAÉvora

O Grupo de Forcados Amadores de Évora, “fez a sua estreia em 11 de Agosto de 1963 na Praça de Touros do Redondo tendo os seis touros do ganadero Manuel Lampreia sido pegados por João Patinhas, Estevam Lencastre, Evaristo Cutileiro, Luís Rui Cabral/João de Saldanha (cernelha), Francisco José Abreu e Manuel Ramos de Figueiredo”.

O Cabo fundador foi João Nunes Patinhas, e actualmente esse papel é desempenhado por Bernardo Salgueiro Patinhas, seu filho.

Bernardo Patinhas, Cabo do GFAÉvora

Fomos de encontro a um dos membros do Grupo de Forcados Amadores de Évora, Sérgio Godinho, e pedimos que nos respondesse a algumas questões. Conheça a opinião de um dos homens que dá a cara pela nossa cidade, na sua representação na Festa Brava.

Évora, Capital Alentejana: “Com que idade fardou pela primeira vez?

Sérgio Godinho:Fardei-me pela primeira vez pelo Grupo de Forcados Amadores de Setúbal com 15 anos em Veiros (Estremoz) .”

É.C.A.: Temos conhecimento que pertenceu ao Grupo de Forcados Amadores de Setúbal, porque optou pelos de Évora?”

S.G.:Optei em mudar para o GFAÉvora por as seguintes razões: evoluir como homem, evoluir como forcado.”

É.C.A.: “O que sente quando se apercebe que mais uma pega foi “consumada”?”

S.G.: “Sinto um grande orgulho não só da minha parte mas sim de todos os elementos, pois um touro não se pega sozinho. Sinto que há sempre algo para melhorar e sinto uma alegria enorme.”

É.C.A.: “O que pensa do espírito da forcadagem?”

S.G.: “O espírito da forcadagem é nem mais nem menos que, uma família que se junta para pegar touros e ajuda-os no mesmo, são amigos dentro e fora de praça.”

É.C.A.: “O que lhe faz ser forcado?”

S.G.: “É toda a nostalgia de camaradagem, amizade, força e dedicação que uns transmitem para outros, e prazer de pegar e ajudar os touros.”

É.C.A.: “Fardar-se e entrar em praça, para si o que é?”

S.G.: “Erguer a jaqueta é uma honra. Entrar em praça é para entrar com um sorriso e sair da mesma maneira, mas com uma satisfação enorme.”

É.C.A.: “Pensa que o forcado pode ser importante na preservação da festa brava?”

S.G.: “Tenho certeza que sim, o forcado sempre pertenceu a festa brava desde o reinado de D. Maria II (1836).”

É.C.A.: “Ser forcado, é ser toureiro?”

S.G.: “Ser forcado é ser toureiro! Desde que se entra em praça até sair.”

É.C.A.: “Para finalizar, diga-nos qual a sua opinião em relação ao estado da Tauromaquia actual?”

S.G.: “A Tauromaquia neste momento esta razoável, não tão bem como sempre esteve mas esta estável por motivos de protestos dos “anti-touradas” e também devido a crise que leva as pessoas a não aderir tanto a festa brava, contudo estamos a juntar assinaturas para a tauromaquia continue sempre presente nas nossas praças de touros e também, visto que se tem alastrado por outros países.”

É.C.A.: “Muito obrigada pelo tempo que nos dispensou, continuação de uma boa época e excelentes pegas!”

Sérgio Godinho - Membro GFAÉvora

 

 

[FONTE: http://www.terrabrava.com.pt/agenda_detail.php?id=72]

[FONTE: CUNHA, Manuel Peralta Godinho e. JOÃO PATINHAS, UM FORCADO. Edição: Associação de Forcados Amadores de Évora. Maio 2009.]